AEROSTATO


 

Passarei alguns dias sem você. Seremos ainda mais amplos.

Contigo estou sempre a um passo da permissão. Contigo estou sempre à espera de um milagre. Como se fosse possível remeter evitando a lembrança do passado. Como se a memória fosse nossa última estalagem. Com as portas cerradas, breu e escuridão. Como quando chegamos ao fim de uma contagem. Nobre ou monstro ainda me quis, puxado pelas ventas.

 



Escrito por Renato de Melo Medeiros às 18h13
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Se é pequeno digo que não.

Gosto do desejo gigante

do amor imenso.

Imerso

entre as trocas.

 

Se for cuidadoso

estou prestes a sorrir,

numa beleza enorme

meus gestos

superam-se no zelo.

 

Ontem eu vi você olhando pela janela.

Não faça planos que cortem, a edição brusca afasta o amor de um lance cordel nouvelle vague.

Não espero demais. Habituei-me tanto a esse ninho, ele ficou guardado entre as páginas de nossas recordações.

Vem, marcando um caminho, sem fim, entres as louças.

 

Todavia você fez assim...

Ficou estampando essas preces, assumindo logo que veio certeira pra combinar comigo os passos num futuro. Ontem eu tive a visão, calculei exatamente os anseios desfiz longamente seus planos de sair por aí, feitos numa busca absurda.

Não quero pensar nesse além, sossegue, o tempo chega e vai embora. E ficamos prestes a sorrir, de presente temos esse agora. Livre-se de todo grau de hesitação, livre-se das duvidas que assombrem essa hora, ou teremos logo que partir, buscando as luzes, lá fora.

Onde a porto não há escuridão.

 

Calmamente esperei suas reações, não inventei, como era meu plano, nenhum gesto que fizesse você. Se antes de sair eu me fiz de triste foi a ponta do cuidado de vê-la, sozinho pela noite, excluído de ti.

Encurtando sua atmosfera, de herdado.

Que herança nos legaram, por precaução.

Ontem eu te fiz um pedido, quero muito que venhas sempre, casualmente, como foi dessa vez. Não se faça de rogada. Não te farei muitas perguntas. Eu sempre espero você chegar ao meio da noite arrastando meu sonho e, quando chove eu lavo o diário de esperança.

Poucas vezes você falhou, ainda mais nesses dias de perdoar. Sei que me perdoar as asneiras merece um solitário capricho, você nunca se faz demais. Eu nunca saberia prende-la.

Amo-te nos dias que vens,

nada mais. Edito nossos encontros como o correr de uma narrativa que valsa.

 

...

 

Faz muito tempo que eu não sei o que é ter pecado. Faz muito tempo que eu deixei de ir à igreja, à escola, não sem razão. Leve, minha vida levo fora da pretensão dessas grades, distante destes porões.

Lá fora sigo apenas no instinto

os passos

do meu tesão!

 

...

 

A Verdadeira riqueza de um povo... Recolhe no chão da feira.

 

...

 

Homem mirando o mar,

e nem uma dúvida. Certeza!

Alguma força se levanta e expande a noite em melodia.

 

Se a ação fura e dinamiza...

Quanta questão nos vem, sem aspecto?

 



Escrito por Renato de Melo Medeiros às 18h11
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